quarta-feira, 26 de março de 2014

MEMÓRIAS DO SURF BRASILEIRO RIO – “Anos Dourados”


Década de 60

A introdução das pranchas de fibra e de um estilo de vida praiano, descontraído, inovador e arrebatador.

O vírus do surf foi inoculado em território brasileiro e não havia mais como se libertar dele. Aqueles praticantes de pesca submarina que haviam sido os introdutores do esporte, presenciaram a modalidade de pegar ondas cair na graça dos frequentadores daquele pontão de pedras, antes o seu refúgio, que agora começava a ser abraçado pela cidade com uma velocidade surpreendente. Quem ia ao Arpoador e via aqueles garotos se divertindo com suas pranchas de madeirite ficava intrigado e hipnotizado. A segunda metade dos anos 60 seria o momento em que o surf alçaria voo da Cidade do Rio de Janeiro para o resto do país.


O Arpoador foi o epicentro deste processo.


O CENTRO DO UNIVERSO DO SURF BRASILEIRO

Até 1964 a turma do Arpoador surfava com suas pranchas de madeirite. Um fenômeno local, um objeto criado e desenvolvido por surfistas brasileiros, que não teve paralelo em outro ponto do planeta. Para entendermos o próximo passo é interessante nos situarmos com relação ao momento histórico, local geográfico e pulsação rítmica dessa nova tribo.
O Arpoador era o reduto de um grupo de jovens que encontrava naquela “ponta” de cidade o ambiente perfeito para dar forma ao estilo de vida do surf. Viver na praia era o que mais pesava em sua escala de valores. Independente da Capital Nacional ter se mudado para Brasília no início da década de 60, a Cidade do Rio de Janeiro ainda representava a vanguarda cultural, intelectual, de moda, criatividade musical... São Paulo crescia e se industrializava rápido, após o governo de Juscelino Kubitschek, porém o Rio era a cidade maravilhosa, que mantinha a bossa, à beira mar.

O Arpoador, a casa espiritual do surf brasileiro, reunia condições únicas. Em primeiro lugar pela qualidade de suas ondas que vinham lá do pontão e abriam, abriam muito em direção à praia de Ipanema. Ipanema e o Leblon se transformavam nos bairros mais “in” do Rio, a evolução naturalmente sofisticada de Copacabana. A juventude carioca era a fração da população que mais tinha condições de aproveitar a praia e seus predicados, entre eles... as ondas! Um canto de praia afastado do resto do Rio, um microcosmos em que todos se conheciam e no início dos anos 60, na maioria das vezes, a praia estava vazia.

Arduíno Colassanti, um dos pioneiros, comentou em entrevista para o Canal Off, na série de documentários 70&Tal, de um dia em que contou 16 surfistas no Arpoador e pensou: “Acabou!” Não havia como parar o crescimento. Independente disso, a evolução do surf no Brasil vinha a passos lentos. Estes pioneiros sabiam da existência das pranchas de fibra. Em texto escrito de punho para Wady Mansur, por ocasião do evento “Lendas do Arpoador”, em 2009 (publicado também no site Waves), Arduíno conta que havia visto fotos de pranchas de surf na revista especializada em mergulho Skin Diver, depois numa matéria da revista Life, trazendo mais informações sobre as pranchas com miolo de espuma e uma longarina. Porém, Colassanti confessa que esses projetos iniciais foram feitos de “orelhada”. A primeira prancha que ele tentou fazer... Foi obrigado a jogar fora, ficou inutilizada. A alquimia não deu certo.

Em um determinado momento três pranchas estavam sendo produzidas, Arduíno era o mais adiantado. Irencyr Beltrão, o Barriga, estava desenvolvendo seu shape, num bloco de isopor, em cima da mesa de jantar de seu apartamento e o Persegue (Jorge Bally), também desenvolvia um terceiro protótipo. Eles estavam “apanhando”, estragaram blocos derretidos com resina de poliéster, encaparam com celofane, acabaram buscando informações com químicos da Bayer e da Shell. Finalmente souberam da resina epóxi, a primeira prancha de Arduíno Colassanti estava quase pronta, a resina não secava, ele decidiu finalizar ela na calçada em cavaletes instalados ao lado da antiga rádio que ficava bem no Arpoador. Com o vento... Gravetos, areia, palitos de sorvete, grudavam em sua obra!
Foi nessa época, em 1964, que apareceu o australiano Peter Troy no Rio. Ele estava dando a volta ao mundo atrás das ondas (o primeiro) e chegou ao Brasil vindo do Peru, em uma longa jornada através da Amazônia. Troy, que aportou no Brasil sem uma prancha, viu um cara com uma madeirite em Copacabana e começou a segui-lo, foi desembocar no Arpoador.

NASCIMENTO DO ESTILO

Arduíno escreveu: “Um belo dia apareceu na praia um cara esquálido. Alto, magro e com aspecto doentio, puxou papo comigo em inglês. Contou ser um surfista australiano, chamado Peter Troy, que estava vindo do Peru via Amazonas. Peter achava que continha alguma doença tropical. Irencyr, vulgo Barriguinha, hospedou o gringo e o pai dele, médico, o curou. Assim que o gringo se restabeleceu, voltou para o Arpoador. Mostrei minha prancha e ele topou experimentá-la. Como estava ventando um Sudoeste fresco, fomos cair no lado esquerdo do Pontal do Recreio. Peter olhou um pouco o mar, caiu na água e pegou logo uma onda. Nós na praia ficamos de queixo caído: ele andava sobre a prancha e deu o que depois aprendemos a chamar de bottom turn, turn back e hang five. Tudo com uma fluidez e facilidade que desconhecíamos. Peter voltou para o pico remando ajoelhado, também novidade. Na segunda onda em que entrou, deu um bottom turn tão radical que a pressão da água sobre a quilha arrancou o fundo da prancha que eu, para economizar, havia feito com uma fibra mais fina. Minha prancha destruída e eu, sem me importar, pulando de emoção pelas possibilidades demonstradas em apenas duas ondas. Logo em seguida soubemos que Russell Coffin, um garoto americano que morava com os pais em um hotel em Copa tinha uma prancha. Lá fomos nós para o hotel com o Peter a tiracolo. De lá voltamos triunfantes, com Russell e sua prancha – uma Bing – para o Arpoador. O que se seguiu foi uma demonstração de todas as manobras conhecidas na época, com o hang ten incluso. Foi um ponto de inflexão. Dali para frente pegar ondas não seria mais a mesma coisa.”


O ÚNICO REGISTRO QUE TEMOS (por enquanto) DE PETER TROY NO ARPOADOR. FOTO ARQUIVO IRENCYR BELTRÃO.

O REENCONTRO DE BELTRÃO E TROY NA DÉCADA PASSADA. PETER FALECEU EM SETEMBRO DE 2008.

RUSSELL COFFIN ME MANDOU ESTA FOTO DELE SURFANDO COM A FAMOSA PRANCHA BING 9'6" NA GUARATIBA. DOIS ANOS APÓS A VINDA DE PETER TROY. A MANCHA É UMA CABEÇA QUE ESTAVA NA FRENTE E FOI RETIRADA EM PHOTOSHOP. FOTO: JORGE PERSEGUE

A demonstração de Peter Troy no Brasil foi um divisor de águas, da mesma forma que a chegada de Greg Noll e seus amigos na Austrália em 1956, com pranchas manobráveis de fibra, contra as pesadas de madeira que Duke havia ensinado os australianos a produzir, quarenta anos antes. Eles haviam parado no tempo. Foi um choque!

Peter Troy deixou desenhos, dicas e instruções para que pranchas modernas fossem construídas aqui. A partir daí uma nova geração de surfistas começou a se formar no Brasil. Os 16 surfistas que Arduíno havia visto de madeirite no Arpoador logo viraram 32, 64... As “novas” manobras aprendidas, mais o jogo de corpo, pisar forte na rabeta sobre a quilha para virar a prancha com fé, poses estilosas, walking on the board – as caminhadas até o bico. O tempero brasileiro (carioca) foi dado ao surf.

Os surfistas que passaram a impressionar foram: Betinho Lustosa, portador de estilo refinado e uma fluidez natural. Jorge Bally, o Persegue, cujo apelido veio desde a época das madeirites, quando Jorge ainda não tinha a sua prancha e ficava atrás literalmente “perseguindo” os que tinham pranchas, daí veio o apelido Perseguição, que mais tarde foi simplificado e abreviado para ‘Perseg’. Outro surfista que fez a transição das pranchas de madeira para as de fibra com qualidade foi o Paulinho Bebiano “Macumba”. Será impossível citar todos os nomes que se destacaram na segunda metade dos anos 60, ainda na era dos pranchões, no Arpoador. Aqui abaixo segue uma amostragem de fotos de Tito Rosemberg, um dos que melhor registrou esta fase do surf brasileiro.

Fotos extraídas de seu ÁLBUM organizado no facebook pela Totem. Vejam quase uma centena de “clics” deste LEGEND do surf brasileiro no link:
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.361573333853616.97652.128902800454005&type=1








ACIMA A RADIO EM FRENTE A QUAL ARDUÍNO PRODUZIA SUA PRANCHA EM CAVALETES IMPROVISADOS. DESTAQUE PARA OS PEQUENOS ESCRITOS EM CADA FOTO DESTE ÁLBUM, NÃO SEI SE A IDEIA FOI DE TITO, OU DE FRED D'OREY, DA TOTEM, MAS É INTERESSANTE CLICAREM NO ÁLBUM COMPLETO E CURTIREM ESTES REGISTROS
(link também ao final do texto).



VAMOS TENTAR ORGANIZAR ISSO

Chegamos em 1965. Quando uma prancha perdida atingiu a filha de um general (na época da ditadura), os surfistas passaram a ser vistos como perigo eminente. Passaram a ser proibidos de surfar até as 14 horas. Aventuras e fugas cinematográficas tomaram cena ao redor das pedras do Arpoador, antes tranquilas e “dominadas” pelos surfistas e seus companheiros da pesca submarina. Restavam duas opções, as duas rotas foram tomadas:

1) buscar ondas mais longe;
2) buscar respaldo legal formando uma Federação de Surf.


O JIPE DE TITO NA BARRA, INÍCIO DAS AVENTURAS EM BUSCA DAS ONDAS QUE SE TRANSFORMARAM EM EMPREITADAS MAIS ARROJADAS EM LAND ROVERS PELO MUNDO AFORA...

O GOVERNADOR NEGRÃO DE LIMA RECEBE OS SURFISTAS

Dentro deste cenário que foi organizado o primeiro grande campeonato de surf do Rio de Janeiro e por tabela do Brasil. Um primeiro passo foi formalizar a seriedade dos surfistas, isso ocorreu com uma recepção pelo então Governador do Rio de Janeiro – Negrão de Lima, no próprio Palácio Guanabara. A comitiva contava com Yllen Kerr (pai de Fábio) que era um respeitado jornalista, mais Walter Guerra, João Cristóvão, Armando Serra e as meninas Maria Helena e Fernanda Guerra.


FOTO ENVIADA POR ARMANDO SERRA, QUE APARECE ATRÁS DA MÃO DO GOVERNADOR, AO FUNDO. EM PRIMEIRO PLANO YLLEN KERR, AO LADO DE FERNANDA GUERRA, MARIA HELENA E JOÃO CRISTÓVÃO. FORA DO QUADRO DESTA FOTO, WALTER GUERRA QUE COMPARECEU AO PALÁCIO GUANABARA DE ÓCULOS ESCUROS.

RASCUNHO DA DIRETORIA DO ARPOADOR SURF CLUB. ACERVO TITO ROSEMBERG

A realização do campeonato aproveitou a presença no Brasil de dois surfistas californianos Mark Martinson, que havia vencido o US Surfing Championship em 1965 e o talentoso e ágil Dale Struble, eles eram ”hors concours”, Armando Serra, que participou destes primeiros campeonatos comentou: “Ninguém sabia direito como fazer um campeonato e os juízes éramos nós mesmos e acabou dando certo. O resultado foi - Junior: Persegue em primeiro, Betinho em segundo e o terceiro não lembro; Senior: Alexandre Bastos em primeiro, Mário Bração em segundo e eu em terceiro; Feminino: Fernanda em primeiro e se não me engano a Cristina Bastos em segundo. Mark Martinson não disputou só fez exibição. Comecei surfando em pé em 62, mas era muito principiante e tinha uma madeirite. Em 64 consegui minha primeira prancha americana, uma marca desconhecida mas muito boa. O mais importante que eu considero nesta nossa história, em primeiro lugar é o fato de termos fundado a Federação com quatro clubes (Iate Clube do Rio de Janeiro, Clube dos Marimbas, Clube Radar e Clube Costa Brava). Em segundo a descoberta de Saquarema e outros picos novos...”

Saquarema será protagonista de um capítulo particular do livro, o foco agora é esta primeira competição mais séria em território brasileiro.

VEJAM ALGUMAS FOTOS COMPILADAS NA WEB DESTE EVENTO


REPRODUÇÃO DE PÁGINA DA REVISTA

"A HISTÓRIA DO SURF NO BRASIL" DE ALEX GUTENBERG
DO ÁLBUM DE TITO ROSEMBERG
REVISTA DOS ANOS 60. ACERVO ARMANDO SERRA 
MUDINHO EM AÇÃO
SURFISTAS PREPARADOS NA PRAIA DO DIABO

A partir da segunda metade dos anos 60 as pranchas importadas começaram a chegar com mais frequência ao Brasil: Gordon & Smith, Hobie, Bing, Hansen, Surfboards Hawaii, Harbour, Velzy e outras das mais famosas marcas dos EUA. Paralelamente as primeiras pranchas nacionais, mesmo que de forma artesanal, forem sendo industrializadas. As “Surfboards São Conrado” eram o maior objeto de desejo para os surfistas brasileiros que não tinham como conseguir uma das importadas. O Coronel Parreiras montou sua fábrica debaixo da piscina de sua casa, na base da Pedra Bonita, em uma travessa da Estrada do Joá. As pranchas com tecidos florais aplicados no bico eram antológicas. Infelizmente quase todas foram descascadas para que fossem aproveitados os blocos para a confecção de pranchas menores. Outros shapers foram aparecendo no cenário como Mário Bração, Tito Rosemberg, Marcelo Kaneka, alguns chegaram até a trabalhar na fábrica da São Conrado. No Estado de São Paulo também surgiram indústrias de pranchas ainda nos anos 60, mas isso será abordado no Capítulo 7.

NA SEGUNDA METADE DOS ANOS 60 AS MELHORES PRANCHAS DO BRASIL ERAM PRODUZIDAS NESTA RUA QUE DESEMBOCA NA ESTRADA DA CANOA.

Tenho minha experiência particular para relatar sobre as pranchas São Conrado. Comecei surfando com um pranchão Glaspac, da Surfboards Santo Amaro, adquirido no final dos anos 60 em São Paulo, numa loja chamada Fiberglass Center, na Av. Santo Amaro. Minha segunda prancha foi uma São Conrado, era a melhor opção nacional, mais renomada. Eu já havia tocado em lindíssimas pranchas de amigos do Guarujá. Mergulhei em meu primeiro “ritual” de encomenda de prancha. Em um final de semana de agosto de 1969 lá fomos para o Rio de Janeiro de carro, meus pais e meus irmãos (Renato e Miriam) que nunca viraram surfistas, ao contrário de muitas famílias em que todos aderiram. Ficamos no Hotel Trocadero, em Copacabana, no sábado fomos até a casa do Coronel Parreiras, que nos recebeu muito bem em sua varanda, mostrou a fábrica... Trouxemos, em um papel vegetal com tinta nanquim, o desenho do dragão estilizado que acabou gerando meu apelido no meio do surf. A prancha acabou chegando em Sampa apenas no final de outubro. Fiz a estreia dela no Feriado de Finados de 1970, já era uma mini model de sete pés.


UMA SÃO CONRADO ORIGINAL (A EVOLUÇÃO) AO LADO DE UMA PRANCHA DE MADEIRITE, NO MUSEU DE TELMO MORAES EM CABO FRIO. NO CHÃO... FRAGMENTOS DO NOVO PASSO NA EVOLUÇÃO DO EQUIPAMENTO DE SURF.

Falando em mini models, um próximo momento crucial na história do surf brasileiro foi quando Penho Soares chegou do Hawaii com a primeira “pranchinha” trazida ao Brasil, no final dos anos 60. Penho foi um daqueles personagens de papel fundamental no desenvolvimento do surf brasileiro. Com certeza inspirado por Peter Troy e Endless Summer, saiu do Brasil atrás das ondas, foi parar no Hawaii e voltou com o próximo passo na “evolução”. Toda essa situação será tratada em um capítulo mais adiante. Aqui ainda estamos envoltos pela era dos pranchões nos anos 60.

A demanda por mais e mais pranchas foi criando um mercado. Não havia surf shops no Brasil, muitos surfistas utilizavam velas como parafina. Na segunda metade dos anos 60 o surf gradativamente foi atingindo a primeira centena de adeptos e foi se alastrando pelo país. Os surfistas do Rio de Janeiro, criados nas ondas do Arpoador, iriam deter a hegemonia, em termos de qualidade de surf, por praticamente toda a década seguinte.

ESTE PROJETO ESTÁ ABERTO PARA TODAS AS COLABORAÇÕES QUE SERÃO ARQUIVADAS E ORGANIZADAS ATÉ O LANÇAMENTO DO LIVRO IMPRESSO EM 2014.

Bibliografia e Pesquisa utilizada para este capítulo:
SURFE – DESLIZANDO SOBRE AS ONDAS (1980), Carlos K. Lorch – Editora Guanabra Dois
A HISTÓRIA DO SURF NO BRASIL – 50 ANOS DE AVENTURA (1989), Alex Gutenberg – Editora Azul
ARPOADOR SURF CLUB (2012), Tito Rosemberg – Editora Gaia
Matérias das revistas BRASIL SURF, TRIP, FLUIR, HARDCORE, SOUL SURF e TSJ BRASIL.
Artigos da internet dos sites Waves, ASP South America, 360 Graus, VW e www.revistadehistoria.com.br.
Blogs: Lendas do Surf de Marcelo Kaneca, Blog do Rico, Yso Amsler.
Depoimentos escritos, colhidos por Wady Mansur de Arduíno Colassanti e Irencyr Beltrão e ainda E-mails e recortes enviados por Armando Serra.
Entrevistas gravadas com Tito Rosemberg, Rico de Souza e Otavio Pacheco.

FONTE: surfdragon

4 comentários:

  1. Muito bom! Utilizei para minha pesquisa de POS.

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  2. Iradaçoooo !!!

    Parabéns pela matéria .

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  3. Gosto muito - parabéns a conservar a historia da nossa visão - surfing!

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  4. http://ohopesocialandboardriders.blogspot.co.nz

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